Total de visualizações de página

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A BÊNÇÃO PARA JACÓ


“Tinha Jacó feito um cozinhado, quando, esmorecido, veio do campo Esaúe lhe disse: Peço-te que me deixes comer um pouco desse cozinhado vermelho, pois estou esmorecido. Daí chamar-se Edom. Disse Jacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura. Ele respondeu: Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura? Então, disse Jacó: Jura-me primeiro. Ele jurou e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó. Deu, pois, Jacó a Esaú pão e o cozinhado de lentilhas; ele comeu e bebeu, levantou-se e saiu. Assim, desprezou Esaú o seu direito de primogenitura.” (Gn. 25:29-34)

Os pais, quando se viam próximos da morte, abençoavam seus filhos, especialmente o filho mais velho, o primogênito.

Deus deu ao pai o poder de abençoar ou amaldiçoar seus filhos.
Esta seria uma forma de garantir que os filhos honrariam, obedeceriam e agradariam seus pais, e isto por toda a vida, visto que a bênção principal era, normalmente, retida até a ocasião da morte paterna.

Numa família polígama, primogênito pode significar tanto o primogênito do pai quanto o primogênito de qualquer esposa em particular.
A posição privilegiada do primogênito do pai era garantida pela lei de Moisés, que proibia o pai de preferir o primogênito de sua esposa favorita.

O primogênito sucedia ao pai como chefe da família e tinha autoridade patriarcal sobre seus irmãos.
A ele era atribuída uma bênção especial do pai, tal qual fez Isaque com Jacó.
O direito da primogenitura era mais importante que toda a herança do pai, porque significava assumir a própria autoridade deste.

Jacó tinha conhecimento do valor da primogenitura e, por isso, perseguiu-a até alcançá-la; já Esaú, seu irmão, não deu tanto valor a essa benção, desprezou-a por confiar mais na força do seu braço, pois como um perito caçador achava que poderia se dar ao luxo de viver muito bem sem que dela necessitasse.

A Bíblia nos descreve nos versículos acima o acordo feito entre Esaú e Jacó.

A benção da primogenitura pode também ser interpretada como uma aliança que Deus se dispõe a fazer com todos os homens através do sacrifício do Senhor Jesus.
E como Esaú, também os homens têm menosprezado essa oferta gratuita porque confiam mais no seu braço forte, na sua sabedoria e inteligência que na fé nas promessas de Deus.

Muitos têm feito alianças até com o diabo no afã de conquistar sucesso financeiro e trocado a fé no Deus Vivo pela fé nos ídolos que têm boca, mas não falam; têm ouvidos, mas não ouvem; têm olhos, mas não veem; têm pernas, mas não andam.

O povo de Israel também é um símbolo de Esaú, porque renegou o direito da primogenitura quando rejeitou o Filho de Deus, e esse direito passou àqueles que aceitam Jesus como Senhor.

Outro fato muitíssimo importante concernente à bênção da primogenitura era o valor dado à palavra do pai para o filho primogênito.
O momento em que o pai chamava o filho para lhe passar o direito da primogenitura era como se fosse o ato em que o pai assinaria o testamento em favor do filho.
Esse momento era o mais esperado pelo filho, e acontecia quando o pai já estava com muita idade e prestes a morrer.

Foi o que aconteceu com Isaque que, chamando Esaú, disse-lhe: “Estou velho e não sei o dia da minha morte. Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, sai ao campo, e apanha para mim alguma caça, e faze-me uma comida saborosa, como eu aprecio, e traze-ma, para que eu coma e te abençoe antes que eu morra.” (Gn. 27:2-4)

Tendo ouvido essas palavras, Rebeca, mulher de Isaque, que amava mais a Jacó, chamou-lhe e deu ordens que tomasse dois bons cabritos do rebanho, vestisse as roupas de seu irmão Esaú e cobrisse as mãos e o pescoço com a pele dos cabritos como se fosse o próprio Esaú, porque Isaque, por ser muito velho, não podia enxergar.

Obedecendo à sua mãe, Jacó apresentou-se diante do pai, dizendo ser Esaú. Então Isaque lhe disse: “És meu filho Esaú mesmo? Ele respondeu: Eu sou. Então, disse: Chega isso para perto de mim, para que eu coma da caça de meu filho; para que eu te abençoe. Chegou-lho, e ele comeu; trouxe-lhe também vinho, e ele bebeu. Então, lhe disse Isaque, seu pai: Chega-te e dá-me um beijo, meu filho. Ele se chegou e o beijou. Então, o pai aspirou o cheiro da roupa dele, e o abençoou, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o SENHOR abençoou; Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e nações te reverenciem; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar.” (Gn. 27:24-29)


A bênção da primogenitura já tinha sido comprada de Esaú, todavia, era necessário agora que seu pai tornasse válida a transferência, o que veio acontecer através do engano.

Na avaliação da qualidade moral do ato de Jacó, há que se considerarem alguns fatos de fundamental importância para depois concluir se sua atitude foi ou não leviana:

  • Jacó foi obrigado pela mãe a adotar aquela atitude, arriscando tomar sobre si até a maldição que porventura Isaque viesse lançar sobre ele. Quer dizer: Jacó foi obediente à sua mãe.

  • Jacó desejou ardentemente o direito da primogenitura, isto é, valorizou justamente aquilo que seu irmão desprezou. Portanto, fez por merecer esse direito.

  • Não havia outra forma de conseguir o seu intento se não usasse da astúcia e coragem.

  • Deus já havia prometido e determinado a Rebeca que o mais velho serviria ao mais moço quando eles lutavam no ventre dela.

  • Finalmente, o que mais justifica essa atitude de Jacó, a meu ver, foi a sua fé na palavra de seu pai Isaque. A crença nas bênçãos proféticas de seu pai para ele é o símbolo da convicção que devemos ter nas promessas de Deus hoje! E essa é a crença que nos justifica diante de Deus, a nossa fé. Portanto, a fé de Jacó o absolve de toda e qualquer atitude, mesmo que esta tenha sido tomada de forma irregular.

A pessoa, mesmo sendo justa, somente terá vida abençoada através da fé nas promessas de Deus.
E Jacó sabia disso.
Sabia que o seu futuro estava na boca de seu pai, e o perseguiu até conquistá-lo.

Esaú, que tinha tudo nas mãos, perdeu, por desprezar o seu direito da primogenitura, e, mais tarde, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado.
“Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado.” (Hb. 12:17)

O que aconteceu com Esaú tem acontecido com milhões de seres humanos, infelizmente.
Muitos somente se dão conta do desprezo que têm pelo amor a Deus quando não há mais tempo de salvação.

“Então, respondeu Isaque a Esaú: Eis que o constituí em teu senhor, e todos os seus irmãos lhe dei por servos; de trigo e de mosto o apercebi; que me será dado fazer-te agora, meu filho? Disse Esaú a seu pai: Acaso, tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me, também a mim, meu pai. E, levantando Esaú a voz, chorou. Então, lhe respondeu Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, e sem orvalho que cai do alto. Viverás da tua espada e servirás a teu irmão; quando, porém, te libertares, sacudirás o seu jugo da tua cerviz.” (Gn. 27:37-40)

Os descendentes de Jacó realmente alcançaram posição avantajada entre as nações; e, no tempo próprio, veio a nascer o Salvador e Senhor Jesus Cristo.
Enquanto isso, os descendentes de Esaú, os edomitas, estiveram submetidos a Israel durante um tempo e em seguida se libertaram; porém, desapareceram da História.

O plano de Deus para nós é que todos sejamos abençoados, tenhamos uma vida santa, em intimidade com Ele, que sejamos prósperos e cheios da Sua vida.
Para isso, desde que o homem pecou no Jardim do Éden, Deus vem levantando na terra homens obedientes a Ele, que O temem e O amam, para formar um povo santo, destemido e temente a Ele.
Levantou a Noé, depois a Abraão e continuou o Seu projeto com Isaque, que gerou Esaú e Jacó.
Esaú perdeu a bênção por ter dado mais valor a um prato de comida do que ao que Deus lhe tinha dado por ser o primogênito, o filho mais velho.

Muitas vezes agimos como Esaú.
Damos mais valor às coisas do mundo do que às bênçãos que Deus preparou para nós.
Gostamos mais de ir ao Shopping, ao cinema, brincar com os amigos, do que estar com o Senhor, ir ao culto, ler a Bíblia, orar.
Se quisermos ser bem sucedidos em tudo o que fizermos, se quisermos ser homens e mulheres de êxito, abençoados, não podemos ser como Esaú, que preferiu a comida à bênção, e nem como Jacó, que enganou a seu pai e a seu irmão para receber a bênção, tendo que fugir e passar muitas situações difíceis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário